1. EDITORIAL 29.8.12

"GREVISTAS NO EXTREMO "
 Carlos Jos Marques, diretor editorial

Com maus hbitos histricos, servidores pblicos vo para o confronto e testam a fora da presidenta Dilma. Resistem  perda de privilgios, gritam e cruzam os braos por inacreditveis reajustes de seus salrios  na maioria dos casos em patamares que equivalem ao triplo do ndice da inflao verificada no perodo (at 45%, pedem os extremistas). Que categoria hoje na iniciativa privada seria capaz de pleitear e angariar o mesmo? No  exequvel tamanha pretenso. O funcionalismo seguiu por dcadas boiando em bero esplndido, amparado pela benesse da estabilidade de emprego, operando servios essenciais com pendores a chantagem quando os patres  no final da cadeia, os prprios contribuintes que pagam os impostos e bancam a farra  no concordavam com as suas exigncias. Evoluiu, at aqui, confortavelmente atendido em seus pleitos por seguidos governos. No esperava a rebordosa da mandatria com pulso para dar um basta ao gasto desmedido do Pas com a folha. Os servidores pblicos esto fulos da vida com medidas ousadas como o corte do ponto, o congelamento de quadros, a suspenso dos pagamentos durante as paralisaes e punies exemplares que podem chegar s raias da demisso sumria. Esto tambm enfurecidos por fatores revolucionrios, como a recente poltica de transparncia e divulgao de seus ganhos. No toleram a ideia de serem tratados como iguais, embora Dilma tenha dado um recado inequvoco a eles quando disse que este  um pas que tem de ser feito para a maioria de seus habitantes, no apenas para uma parte deles. As vrias categorias da rea pblica foram surpreendidas pela predisposio da presidenta em no negociar na base da presso. Professores e tcnicos de universidades, por exemplo, ficaram trs meses parados, certos de que dobrariam a resistncia oficial. Em vo. Tiveram que ceder e ainda podem sofrer consequncias pelo desastre provocado na rede nacional de ensino e pelos prejuzos aos estudantes. Diga-se de passagem que nos ltimos tempos muito j foi feito para melhorar a relao entre o Estado e seus servidores. A criao dos fundos de penso est no rol dos avanos. Dilma concedeu inditos benefcios, mas nenhum deles foi alm do legal e justo. E eis a diferena lapidar no relacionamento com uma das mais poderosas foras trabalhistas do Pas. O conceito de que os boicotes no levaro a nada. A nova ordem veio para ficar.

